terça-feira, 23 de agosto de 2011

Minicursos





O ENSINO DE HISTÓRIA A PARTIR DO CINEMA E DA LITERATURA NA PARAÍBA
Bruno Rafael de Albuquerque Gaudêncio
 (mestrando da Universidade Federal de campina Grande)

A proposta deste mini-curso é possibilitar aos alunos do curso de história um conjunto de informações e problematizações sobre a História do Cinema e da Literatura paraibana no século XX, tendo como objetivo a utilização destas obras para o ensino de história. José Américo de Almeida, José Lins do Rego, Leandro Gomes de Barros, Vírginius da Gama e Melo, Liduarte Noronha, Wladimir Carvalho, Machado Bittencourt, estes e outros escritores e cineastas serão expostos através de suas obras dentro de uma proposta metodológica que evidencia a produção cultural paraibana.

Ensino, pesquisa e aprendizagem de História a partir de Webquests.

Rosineide Alves de Farias (especialista/mestranda)
Welton Souto Fontes (especialista/mestrando)

Serão evidenciadas nesse mini-curso a potencialidade da Webquest enquanto metodologia de pesquisa orientada, onde se torna possível agregar através da prática da pesquisa e da aprendizagem a inserção dos educandos no mundo das Tecnologias da Informação e da Comunicação. A partir dessa ferramenta, a prática educativa se torna motivadora, eficiente e inclusiva, onde o educador selecionar as informações mais pertinentes e orienta os alunos na construção e desenvolvimento da aprendizagem para além dos conteúdos, potencializando a aquisição e o aperfeiçoamento de habilidades de comunicação e de produção sob diversas formas de linguagens, sejam escritas, áudio-visuais e hipertextuais tão presentes na atual e excludente Sociedade da Informação. Para tanto, serão evidenciados dois momentos: no primeiro faremos uma justificativa pautada na emergência do uso das tecnologias digitais na ação docente; no segundo, iremos expor as potencialidades dessa metodologia e a estrutura básica de uma Webquest, momento em que mostraremos também como se constrói uma Webquest os resultados práticos possíveis de serem desenvolvidos com essa abordagem na relação ensino, pesquisa e aprendizagem.



MÚSICA NA HISTÓRIA CULTURAL COMO INSTRUMENTO TEÓRICO-METODOLÓGICO NO ENSINO DE HISTÓRIA


Raphael Pericles Borges (Pós-graduado em história Cultural pela Universidade Estadual da Paraíba)
Conceitos elementares da teoria musical. Relação entre História e Música. Análise e interpretação da melodia. Discussão do texto musical (letra). Nossa proposta de mini-curso consistirá na análise da ação do professor na decodificação da música, pois essa prática permitirá aos alunos uma melhor absorção dos conteúdos problematizados pelos educadores na compreensão do fazer historiográfico. Abordaremos a música enquanto possibilidade de pensamento na história, que propõe apresentar conceitos na medida em que traça no fazer musical a produção de afecções e percepções através de elementos, os quais podem produzir novos sentidos para o espaço educacional. Nesse sentido, busca a reflexão e a abordagem da música na sala de aula como método de ensino e aprendizagem.
Palavras-chave: educação; fonogramas; música; social.

QUADRINHOS E CORDÉIS: FERRAMENTAS DE PESQUISA E EDUCAÇÃO PARA A HISTÓRIA
Cláudio da Costa Barroso Neto (mestrando em História pela UFCG e cursa a especialização em História e Cultura afro-brasileira pela UEPB)

Germana Guimarães Gomes (mestranda em História pela UFPB, especialista em Economia Política Regional pela UFCG, cursa a especialização em História e Cultura Afro-Brasileira pela UEPB. Integrante do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas- NEAB-Í)

Mainara Duarte Eulálio  (graduada em História pela UFPB e cursa a especialização em História e Cultura afro-brasileira pela UEPB)

Este mini-curso tem como objetivo principal a discussão sobre quadrinhos e cordéis como ferramentas para a pesquisa e educação na História. Ao trazer essa discussão, buscaremos desenvolver um estudo sobre fonte histórica, uma vez que quadrinhos e cordéis podem contribuir para a historiografia paraibana. Como afirma Jose Carlos Reis, a fonte histórica é aquilo que coloca o historiador diretamente em contato com o seu problema. “Ela é precisamente o material através do qual o historiador examina ou analisa uma sociedade no tempo”. Ao analisar a utilização desses recursos no âmbito da pesquisa histórica, discutiremos também os principais desafios do trabalho dos pesquisadores na utilização desses recursos, e a possibilidade do uso dessa fonte no âmbito da sala de aula.


“Orientalismo às avessas”: leituras sobre o ensino de História a partir dos Animes e Mangás
Cezar José da Silva (UEPB/CNPQ)
Kaline Ferreira Costa (UEPB/CNPQ)
Andréia de Brito Leal (UEPB)
Caracterizando-se como autênticas manifestações culturais, os animes e mangás (desenhos e quadrinhos japoneses) correspondem a uma produção imagética repleta de aspectos sociais, históricos, culturais e ideológicos que permitem o esboço de singularidades excepcionais do universo oriental, já que produzido por ele, além de dá-nos a oportunidade de vislumbrar um ocidente através dos olhos nipônicos.
Enveredando por caminhos contraditórios, lendários, reais, surreais e, acima de tudo, intencionais, o presente mini-curso se propõe a debater acerca da utilização de animes e mangás em sala de aula, objetivando um melhor conhecimento do mundo oriental e as respectivas intencionalidades que envolvem tais produções, uma vez que possuem enorme influência não só no seu país de criação, mas também em todo o ocidente, além de apresentar uma visão diferente do orientalismo que conhecemos, ou seja, o produzido pelo ocidente, daí estarmos tratando de um “orientalismo ás avessas”.
Diante de um processo de absorção dos chamados animes (produções japonesas) pela nossa sociedade nas décadas de 1990 e 2000, podemos afirmar que o mesmo faz parte de nossa cultura e está intrinsecamente ligado aos hábitos de leitura de muitos, pois quase todos nós tivemos contatos com este seguimento de entretenimento infanto-juvenil, e até mesmo adulto, já que os hentais contemplam animações destinadas à este público. Dentre os novos paradigmas educacionais podemos ter os animes como fonte de ensino em sala de aula. Onde poderemos analisar vários aspectos das sociedades orientais através dele, e também sua visão sobre nossa sociedade. Dentre esses aspectos que podemos analisar, está à família, a amizade, a religião, as tradições propriamente ditas, dentre outras características, ou seja, é um tema muito rico que precisa ser explorado, passando por análises críticas para assim poder adentrar o ambiente da sala de aula, e assim contribuir para estudos diversificados por meio das mesmas metodologias, quais sejam os animes e mangás.
Palavras-chave: Orientalismo, História, animes e mangás.

Um discurso Homossexual: as marcas de suas representações nas ideologias ocidentais. Um debate sobre os aparelhos construtores dos conceitos de gênero numa perspectiva histórica.

Williams Lima Cabral (PIBIC/PROPESQ/NEAB-Í/UEPB)
 Romulo Gouveia Bonfim (graduando em História pela Universidade Estadual da Paraíba)
Os fenômenos sociais que se configuram diretamente com as inter relações entre indivíduos, ganham ou perdem relevâncias conforme o fluxo das práticas e costumes de determinadas sociedades. Este mini curso procura trazer a tona questões ligadas a um fenômeno social que historicamente se ressignifica conforme as novas contingências que ora emergem no âmbito político, social e cultural e que ganham sentidos nas subjetividades: a questão homossexual e suas implicações no meio sócio educacional.

Ensino de História e Cultura Afrobrasileira e Indígena
Paulo Hipólito (Graduado em Historia pela Universidade Estadual da Paraíba)
 Adrianne Monique Silva Firmino
 Simone Pereira da Silva
O nosso país é diversamente cultural, mas as escolas muitas vezes não abrangem essa nossa diversidade, o que significa que muitos sujeitos ficam excluídos do processo educacional, uma vez que suas culturas não são mencionadas. Muitas instituições de ensino ainda trabalham norteadas por uma cultura padrão – de católicos, brancos e heterossexuais –, caminhando na contramão da proposta de se fazer uma escola mais democrática e inclusiva.
Desde a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional nº 9.394, de 1996, foi estabelecido a necessidade em se trabalhar as diversidades culturais em sala de aula. Em 9 de janeiro de 2003 é promulgada a Lei 10.639, alterando a Lei 9.394, para determinar a obrigatoriedade do ensino de História e Culturas Afrobrasileiras e Africanas nos currículos escolares da educação básica. Em 10 de março de 2008, esta Lei é novamente alterada para incluir o ensino da História e Cultura Indígena. Diante deste exposto, o que percebemos é que, desde 1996, o ensino destes conteúdos pouco veio sendo aplicado na sala de aula, sob alegação de diversos problemas, que vão desde a falta de formação adequada dos(as) docentes à falta de material didático que versem essas temáticas. Daí decorre a importância de se abrir um espaço de discussão para ser pensado meios, mecanismos e práticas que garantam o ensino de história e cultura afrobrasileira e indígena na escola; e para ser refletido sobre o dever do(a) professor(a) de história em contemplar, em sua prática pedagógica, as diversas expressões culturais.

TRABALHANDO A LEI Nº 10.639/03 NO ENSINO FUNDAMENTAL ATRAVÉS DE CONTOS AFRICANOS
Maria Adriana Chaves do Nascimento Rodrigues (UEPB/CH/NEABÍ)
Elinalva Roseno dos Santos Silva de Abreu(UEPB)


O século XVI foi o momento em que as populações negras chegaram ao Brasil, em grandes quantidades, contra sua vontade, indo principalmente para zona litorânea, com grande concentração nas regiões Nordeste e Sudeste, isso em decorrência do detrimento ao desenvolvimento econômico dessas regiões.  Para Cavalleiro (2006), mesmo vivendo numa realidade brutal, o povo negro ainda tinha que criar estratégias para proteger suas culturas, seus valores, suas histórias e reverenciar os seus ancestrais, reconstruindo na diversidade, com muita resistência, a sua integridade como ser humano. Ou seja, mesmo sendo proibidos de manifestarem e/ou cultuarem seus valores, sua cultura, os negros tentaram e, podemos afirmar que, conseguiram preservá-los. Algo muito evidente retratado em vários mitos e/ou contos africanos. Desta forma, acreditamos que a história e a memória de vários povos africanos adentram e permanecem como parte de nossa cultura. Cultura essa materializada na literatura oral expressa pelos mitos, lendas, provérbios, contos, dentre outros.     
 

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

19 de Agosto: dia do Historiador. O que temos a comemorar?


Federação do Movimento Estudantil de História 





Em dezembro de 2009 foi aprovada a lei nº 12.130, que “institui o dia nacional do historiador, a ser celebrado anualmente no dia 19 de agosto”. Afinal somos reconhecidos frente à sociedade! Será?
Um pouco de contexto
Em agosto de 2009 é proposto no Senado o Projeto de Lei 360 que visa regulamentar a profissão de historiador. Nesse projeto vemos a ausência de uma concepção explícita de historiador, a qual não nos impede de identificar a idéia que perpassa todo o texto do projeto: o historiador é aquilo que o mercado de trabalho quer que ele seja. Não importa aqui se o conhecimento a ser produzido será transformado em mercadoria e privilégio de poucos, não importa aqui se o historiador estará sendo utilizado para gerar mais lucro para empresas, não importa qual é a demanda social existente. O que importa é que o mercado de trabalho existe, e é melhor reservá-lo antes que alguém o ocupe.
Em junho de 2010 vemos uma outra medida que aponta para uma concepção de historiador cada vez menos crítica e mais voltada para o mercado de trabalho. Surge um ofício circular do MEC que determina a dissociação obrigatória entre bacharelado e licenciatura em todos os cursos onde essas habilitações ainda se mantém unidas. Na contramão da autonomia universitária – garantia constitucional -, a indissociabilidade entre ensino, pesquisa e extensão – garantida pela LDB – e todos os estudos do campo da história que apontam, desde a década de 70, para a importância da formação do professor pesquisador, essa medida nefasta precariza a formação que tende a se tornar cada vez mais técnica, voltada ao mercado de trabalho.
Em nosso campo profissional, cada vez mais sofremos com a flexibilização dos contratos, perda de direitos e completa desvalorização da profissão de professor – nossa principal área de atuação.
Frente a isso cabe a nós perguntar: o que há para se celebrar nesse 19 de agosto? Esse dia, uma aparente valorização da profissão de historiador, visto a luz de outras medidas colocadas hoje nos apontam para a valorização de uma determinada concepção de historiador – aquela voltada para o mercado de trabalho. Não queremos um dia para comemorar uma profissão mercantilizada. Reafirmamos a necessidade de uma formação e intervenção crítica do historiador em nossa sociedade. Assim, convocamos todos e todas as estudantes de história a realizar atividades no dia 19 de agosto – não de comemoração passiva – mas de questionamento ativo das atuais condições de trabalho do historiador. O formato das atividades fica sob a responsabilidade de cada escola – podem ser mesas, grupos de debates, discussão de filmes, intervenções artísticas, etc – que deve pensar a melhor forma de problematizar os dilemas da profissão de historiador hoje em mundo do trabalho cada vez mais precarizado.
No dia 19 de agosto questionaremos a realidade posta para celebrar nossas lutas!
Material para ser distribuído nas escolas

A cada 25 ou 40 anos no Chile?


Transa, revista. 





|por Pablo Fica Piras|
Quando o principal motivo da educação em um país é o lucro auferido pelos donos dos estabelecimentos educacionais e não o desenvolvimento integral e harmonizado da sua população, está se cometendo um crime coletivo, cerceando e discriminando a sua juventude. No Chile, apenas um 15% dos recursos para a educação é proveniente do Estado, o que equivale a 0,3% do PIB, um dos percentuais mais baixos do mundo. Ainda, a metade desse exíguo montante destina-se somente às quatro universidades mais tradicionais, enquanto que as outras ficam mais criticamente dependentes das cobranças aos estudantes (taxas de matrícula, mensalidades) e do financiamento no mercado de capitais.

Se a inadimplência em outros setores da economia já vinha crescendo nos níveis próprios da atual débâcle econômica mundial, não é de se estranhar que o 65% do quintil de menor renda dentre os matriculados nas universidades esteja estruturalmente fazendo parte dos evadidos do ensino superior. Com taxas cobradas em valores entre as seis mais altas do mundo e um sistema de bolsas quase inexistente (somente empréstimos com juros de mercado e carência de dois anos após a formatura), as manifestações dos estudantes no momento no Chile não surpreendem aos seus compatriotas.

Atrás de cada estudante que faz parte das passeatas e protestos está a família, que endossa e estimula, apesar do medo, cautelosamente, porque há muito tempo as finanças do núcleo estão exauridas e comprometidas inclusive no mês que vem, pelo peso com que o ensino superior grava o quotidiano e a intensa financeirização da sociedade.

O diploma profissional é uma condição tradicionalmente almejada pela imensa maioria da população, em que pese que estudar em um curso superior representa um endividamento de em média R$80.000. Paradoxalmente, a maioria desses endividados (56%) nunca irá trabalhar na profissão que estudou: tudo isso ocorre no país de maior renda per capita de América do Sul.

O ensino superior tem ido se deteriorando paulatinamente: todo o sistema cobra matrícula e a seleção por mérito à entrada (ou na permanência) não mais existe, pois o critério do bolso solvente precede. Esta estrutura foi herdada dos dezessete anos de Ditadura, por modificações jurídicas de 1981, e mantida durante os vinte anos de governo da chamada Concertación (leque de amplo espectro de partidos, inicialmente coordenados para se opor à herança da ditadura, que elegeu quatro presidentes seguidos, mas manteve a estrutura de Estado omisso, montada pelo predecessor). Em termos de exclusão e perda de oportunidades infringidas à população, resulta em perdas econômicas e morais maiores do que muitas vezes as atribuídas às desordens que se televisionam, do confronto entre os manifestantes que reivindicam a restauração do sistema público de qualidade e as forças policiais.

Claramente não são manifestações assépticas (e quais as são?), como o demanda a mídia local comprometida com aqueles donos e mantida por eles: no mundo, a imprensa é estruturalmente deficitária, serve mais para espalhar a visão hegemônica do que para realmente noticiar os assuntos importantes para o povo. Isso modula as reações a dita opinião pública local e, às vezes, internacional, à distância. Uma mudança de paradigmas longamente cultivados demanda uma incorporação de conceitos um pouco mais revolucionários do que incrementar cosmética e insignificantemente o que ai está: um número um pouco maior de empréstimos, um prazo de carência de três anos etc.. 

Porque inclusive é antiga a manha de infiltrar policiais à paisana no meio dos manifestantes, para que o vandalismo seja mais notório e com exemplos isolados altissonantes: isto é o que coincidentemente a mídia veicula, misturando elas com algumas pedradas de autodefesa e martelando os lares dos passivos telespectadores com a estética do medo que é essencial para a manutenção do sistema, visando originar indignação e sensação coletiva de necessidade da represália militar, desproporcionada e antipatriota.

Porque mesmo seguindo o raciocínio oficial, comparemos: no recente protesto de 4 de agosto, só na Universidade do Chile e no Instituto Nacional, centros de referência no país em ensino superior e ensino médio, respectivamente, caíram dentro dos respectivos prédios mais de 370 bombas de gás lacrimogênico (nem tão inócuo assim), permitindo que cada estudante lá dentro, momentaneamente entrincheirado, pudesse levar um cartucho de souvenir, para casa ou dos parentes. O preço oficial de cada uma delas é pouco mais de R$400 (todas as armas são caras, embora às vezes sejam subsidiadas pelo seu fornecedor, de olho nos desdobramentos), o que origina um gasto em repressão de R$150 mil só nesse dia, só nessas bombas nesses dois prédios vizinhos, em Alameda com Prat. Se a própria mídia avaliou o custo do quebra-quebra em R$200 mil, dá para imaginar o quanto está sendo intenso o investimento em repressão do próprio povo. A concentração foi tamanha que a coceira na garganta foi sentida nitidamente até por quem morava a mais de vinte quarteirões do centro.

No entanto, devemos reconhecer que, em uma percepção mais aberta da atualidade, constata-se que somente os sindicatos de professores estão aderindo parcialmente às manifestações: desde a greve de um ano na UNAM do México, sabe-se que não bastam os estudantes para mudar uma sociedade desigual. Mas esta demanda tem fôlego, poderá iniciar um efeito contágio mais profundo e merece ser acompanhada com atenção, pois tem precedentes recentes notórios (a revolução dos pingüins) e, assim como experimenta terremotos a cada vinte e cinco anos, a cada quarenta no Chile vêm eclodindo mudanças maiores.

Pablo é Chileno e Professor Doutor da UEFS (DTEC).

fonte: transarevista.blogspot

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Divulgação dos Simpósios temáticos, Minicursos e Oficinas!

Nesta Segunda feira, dia 22 de Agosto colocaremos no blog os Simpósios temáticos, Minicursos e Oficinas que foram selecionado para a programação do II EPBEH. Ainda lembramos que vai até dia 19 o envio das propostas. Os trabalhos estão sendo analisadas pela comissão acadêmica, que é composta por estudantes da UEPB, UFCG e UFPB. Iremos também expor nessa data a conta bancária para a efetivação das inscrições daqueles que não irão ministrar minicursos, st's e oficinas.

Saudações Acadêmicas!

COEPBEH

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

A arte!

Nossos Cartazes já podem ser impressos e distribuídos como divulgação! depois de muita espera e discussões fervorosas, nós concluímos a espera expondo no blog o novo layout! Vamos agora em busca de participantes, convocar a massa estudantil de História e de outros cursos que trabalhem com educação para uma discussão acerca do processo de ensino de História e a interdisciplinaridade.
Lembramos que a data final para o envio de propostas de Simpósios temáticos, oficinas e minicursos serão até sexta dia 19 de Agosto!

Saudações!

COEPBEH

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

ISSN

Já Solicitamos à Editora (EDUEPB) da  Universidade Estadual da Paraíba o ISSN para os trabalhos que serão mostrados nos Simpósios temáticos e posteriormente serão registrados nos Anais do evento. o ISSN, que é o código que insere os autores no cenário da publicação oficial do país, é uma exigência do público que vem publicando seus artigos por eventos acadêmicos a fora. Esse número é como o registro de nascimento de um livro, de um artigo. O artigo pode existir  fisicamente sem ele, mas não vai possui importância sem seu número de registro ISBN ou ISSN.

Então vamos publicar pessoal.

COEPBEH

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Propostas de Simpósios e Mini cursos (prorrogados)




    As propostas de Simpósios temáticos e Minicursos estão abertas até o dia 19 de Agosto, Vamos enviar suas propostas e fazer crescer o debater acerca da educação em nosso estado! As propostas podem ser enviadas para o email: 
iiepbeh@hotmail.com
         Os Resultados das propostas aprovadas sairão dia 22 de Agosto e nesse mesmo dia serão abertas as inscrições para submissão de resumos na modalidade comunicação oral e a participação nos minicursos. O prazo final para o envio de resumos é até dia 23 de Setembro. As cartas de aceite serão enviadas até 27 de Setembro e a data limite para o envio de trabalho completo é 01 de Outubro!


Para participação geral no encontro as inscrições vão até dia 1 de Outubro (com alojamento e alimentação, sem, as inscrições vão até o dia do encontro)


COEPBEH.







quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As artes do evento!

Haverá uma modificação nos cartazes e nas artes do evento!
Por motivos maiores estaremos expondo outras opções para serem usados como a logomarca do evento.
A arte inicial, muito bem feita e elaborada (opinião de quem trabalha no assunto), teve de ser retirada.
Estamos trabalhando na confecção de outras simbologias para representar a II edição do nosso encontro!

Teatro no EPBEH


 

 O Grupo de Teatro ARUPEMBA,  irá apresentar o espetáculo "Zé Lins, Vida e Arte", um espetáculo que expressa a obra do escritor Zé Lins, e como em sua obra, mistura suas experiências de vida com seu imaginário. "A ideia do espetáculo espetáculo surgiu quando vimos um edital sobre a vida de Zé Lins, então montamos um espetáculo e apresentamos" disse Marcos Pablo, assistente de direção do espetáculo.

 O grupo começou após um curso de teatro realizado pela professora Eliane Lisboa, atual diretora do público, que não pode está na apresentação. Em 2010 eles estrearam seu primeiro trabalho, o espetáculo "Fronteiras", e com o passar dos tempos o grupo foi se reconfigurando e criando este novo trabalho. Esta é a primeira vez do grupo no Festival de Inverno de Campina, e eles estavam maravilhados por ter a oportunidade de está trocando experiências com grandes nomes do cenário teatral."E só pra registrar foi uma desafio pra gente fazer essa peça, pois teve todo o trabalho que tivemos de cena, produção, figurino e a própria interpretação dos textos deste grande escritor", disse o ator Alan Barros.

 Depois entraram no palco os atores Juliana Lins e Raphael Rio, com a esquete  "A Loja de Chapéus", segundo Juliana Lins, a esquete foi o resultado de um trabalho feito com alunos de arte e mídia, que depois eles decidiram levar adiantem com a professora Eliane Lisboa.

fonte:
http://outras-noticias.blogspot.com/2011/07/jornal-do-festival-2707.html

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Culturais no EPBEH


O II EPBEH vem Promover atividades com professores, pesquisadores e estudantes de história, (e áreas afins) de diversas IES (Instituições de Ensino Superior) bem como atuantes em movimentos sociais sobre o tema de ensino de história, educação, curriculo e interdisciplinaridade. Dentro da programação do evento teremos atividades culturais, que fica sob a responsabilidade de estudantes com o apoio do CUCA-CG.
A comissão de cultura do evento tem o intuito de realizar atividades culturais prezando por artistas do estado da Paraíba ou que venham a interpretar artistas paraibanos, com o objetivo de divulgar, expandir e tornar mais conhecido do público os artistas e bandas que fazem parte do cenário paraibano.
Serão desenvolvidas atividades artísticas que terão o papel de entreter o público participante, divulgar o trabalho dos artistas convidados evidenciando os costumes  e  cultura  paraibana  e  sensibilizar  o  público  presente  para  a  importância  das práticas sociais. A comissão de cultura irá elaborar o programa das atividades culturais com o auxilio do Centro Universitário de Cultura e Arte (CUCA-CG).
Vamos convidar diversos grupos para fazerem parte dessa amostra, contataremos bandas, grupos de teatro, percussivos, de danças e de Capoeira. Durante o evento tais grupos irão se apresentar em locais pré estabelecidos se alternando com as atividades acadêmicas para termos maior dinâmica e descontração dos participantes.
O grupo de Teatro Arupemba de Campina Grande participará do evento com a peça “Zé Lins, vida e Obra” que conta a vida e trajetória de José Lins do Rego.
O grupo de percussão MaracaGrande, também foi convidado, eles que tem o objetivo de contribuir no processo de afirmação das referências culturais da nossa região, buscando resgatar raízes da cultura negra e acender o gosto da população pelo Maracatu, Ciranda, Côco de Roda e, demais manifestações tradicionais outrora presentes em toda Paraíba.
O grupo Mistura de todos os ritmos vão mostrar para os participantes vários sons da Paraíba, bem como do nordeste, em um misto de coco, ciranda, ajoxé, entre outros ritmos que dão ao nordeste uma identidade própria.
A capoeira também será convidada à se apresentar no evento com o grupo Afr Nagô do Mestre Zunga e Lobo Branco, tendo o Instrutor Morcego como líder da galera que irá mostrar a dança e toda a malícia dessa arte genuinamente brasileira.
Alguns outros grupos participaram das culturais! Em breve teremos os nomes de das bandas e a programação das noites culturais divulgadas, aqui é só uma chamada pra a parte profana do evento!

Babilônia Irmãos!.

domingo, 17 de julho de 2011

Nossa Homenageada : Elizabeth Teixeira

 Em nossa programação cultural teremos um espaço destinado a homenagem da paraibana Elizabeth Teixeira assim como também a exibição da curta-metragem " Cabra Marcado Para Morrer" Conheça um pouco mais lendo o post abaixo :

Dirigente camponesa e viúva de João Pedro Teixeira, fundador e líder da Liga Camponesa de Sapé , na Paraíba, Elizabeth Teixeira,  narra à AND sua vida e suas lutas junto ao povo nordestino.

Em 1962, uma equipe de estudantes da UNE-Volante, acompanhada pelo então jovem cineasta Eduardo Coutinho (membro do CPC — Centro Popular de Cultura) viajava em caravana pelo interior do Nordeste brasileiro filmando a vida do povo e as lutas sociais daquele período, quando ocorreu o assassinato do João Pedro Teixeira, dirigente e fundador da Liga Camponesa de Sapé, na Paraíba. A partir daí, as atenções da equipe passaram a se concentrar neste caso, e o resultado das filmagens realizadas foi o documentário Cabra Marcado pra Morrer, uma das mais importantes obras cinematográficas do Brasil.
Registro simples e fiel daquele período de intensa mobilização do movimento camponês, o filme tem como cenário o sertão pernambucano, e sua principal personagem é a viúva de João Pedro, a também dirigente das Ligas, Elizabeth Teixeira.

Elizabeth Teixeira nasceu em Sapé, Paraíba, em 13 de fevereiro de 1925. Seu pai era fazendeiro, proprietário de 300 hectares de terra e comerciante. Cursou até o segundo ano primário, abandonando os estudos porque o pai a proibiu de continuar indo à escola. Ela conta: "Meu pai era exigente, mas vivíamos bem. O problema mais sério do nosso relacionamento foi o meu casamento, porque casei contra a vontade dele. Tive que fugir e casar com 16 anos, porque quando João Pedro me pediu em casamento, papai não aceitou. Dizia que ele era negro e que não aceitava negro sentado na sua sala. E, além disso, era um pobre, operário."
"A primeira vez que vi João Pedro foi na mercearia do meu pai. Ele trabalhava numa pedreira nas terras de um vizinho. Depois que fugimos fiquei na casa do tio dele, que era gerente de um engenho, e no dia 26 de julho de 1942, nós nos casamos. Antes do casamento, papai mandou uma carta, pedindo para que eu voltasse, mas eu não aceitei. Quando conheci João Pedro, eu tinha 15 anos e fugimos um ano depois", continua. O pai insistiu por diversas vezes para ela separar-se de João Pedro, mas Elizabeth nunca aceitou as propostas e ofertas da família. Continuou ao lado do marido, com quem teve 11 filhos e um convívio feliz. Ela prossegue: "Depois disso, João Pedro foi para Recife e eu fiquei em Sapé por uns meses. Aí, ele alugou uma casinha na capital e me levou. Já estava grávida do nosso segundo filho, o Abrahão Teixeira. Moramos nove anos em Recife e, nessa época, João Pedro começou a participar da luta da classe trabalhadora, fundando o Sindicato da Construção da cidade. As primeiras reuniões foram lá em casa, no começo dos anos 50. Logo depois, os empresários não queriam mais dar trabalho a ele e a situação foi ficando muito difícil. Os nossos filhos começaram a passar fome e resolvemos voltar para a Paraíba. Quando chegamos lá, em 54, papai mandou um grupo de trabalhadores nos ajudar no plantio. João Pedro também foi. Na hora do almoço, eles tinham apenas farinha seca com rapadura. Aí meu marido começou a questionar aquela situação e a entrar na luta dos camponeses, indo de engenho em engenho para saber como era a sobrevivência dos camponeses. Foi tomando conhecimento e começou aquela organização."

A luta das Ligas

Nesse tempo, João Pedro já havia sido preso várias vezes por ordem dos latifundiários locais. Chegou até a ter de fugir para o Rio de Janeiro, onde ficou durante oito meses, escondido. Sua intensa participação no movimento dos trabalhadores rurais da Paraíba lhe trouxe o ódio de fazendeiros e donos de engenho deste estado. Vivendo só neste período, Elizabeth Teixeira diz que os companheiros da luta a ajudavam, não deixando faltar nada à família durante a ausência de João Pedro. Quando este voltou, foi fundada a Liga Camponesa em Sapé, no ano de 1958. A organização dos trabalhadores foi crescendo na região e, em consequência, aumentaram as ameaças contra o líder camponês, assassinado em 1962 com três tiros pelas costas, por pistoleiros que ficaram de emboscada.
Depois da morte do marido, Elizabeth também foi detida e sofreu diversos atentados. Havia até quem lhe oferecesse dinheiro para abandonar as Ligas, mas ela continuou firme, junto aos trabalhadores. "Um dia após o golpe tentaram incendiar minha casa, mas não me encontraram, porque estava em Galiléia, fazendo o filme. De lá, fugimos para dentro das matas e no dia seguinte, conseguimos chegar até Recife. Depois, em João Pessoa, procurei notícias dos meus filhos, mas acabei sendo presa. Passei três meses e 24 dias na prisão, no Agrupamento de Engenharia." Liberada, ela fugiu para a cidade de São Rafael, interior do Rio Grande do Norte, onde viveu por 16 anos com o nome de Marta Maria da Costa.
"Eu fugi com o meu filho Carlos, e os outros ficaram espalhados, com parentes. Eu vivia lavando roupa de ganho, no rio Açu. Mas apanhei uma infecção, fiquei muito doente, e fui parar no hospital. O médico disse que eu tinha que parar de lavar roupa, e a situação ficou mais difícil ainda. Cheguei a passar fome. Um dia, eu estava sentada na calçada, chorando, então um motorista que viu a minha situação foi na venda e comprou uma feira com muita coisa, inclusive quatro latas de leite, e me entregou, num gesto de grande solidariedade. Este gesto me animou a continuar firme. Então percebi que as crianças de São Rafael viviam pelas ruas, sem escola, sem ensino nenhum, e aí falei com as mães e propus ensinar às crianças em troca de algum dinheiro. Elas se reuniram, cada uma cedeu uma cadeira, outra emprestou a sala da sua casa, que foi transformada em sala de aula e passei a ensinar às crianças a ler, contar e escrever. E hoje, de vez em quando sou homenageada por elas, mulheres e homens, já formados, e que começaram a ler naquela ocasião", diz.
Mesmo na clandestinidade, a líder camponesa continuou a agir. "Conversava muito com o presidente do Sindicato Rural de São Rafael sobre a situação dos companheiros do campo, mas ninguém sabia que eu era a viúva de João Pedro", lembra. Quando o cineasta Eduardo Coutinho a encontrou, em 1981, num processo longo de procura, ela abandonou a vida clandestina que levava e revelou seu verdadeiro nome e sua história às vizinhas e amigas do município de São Rafael. Em seguida, sua primeira iniciativa foi reencontrar os demais filhos, que moravam na Paraíba, no Recife, no Rio de janeiro e em Cuba. 
 Na cena final do filme Cabra marcado para morrer, gravada em 1981, Elizabeth diz: "(...) a luta que não pára. A mesma necessidade de 64 está plantada, ela não fugiu um milímetro, a mesma necessidade do operário, do homem do campo, a luta que não pode parar. Enquanto existir fome e salário de miséria o povo tem que lutar. Quem é que não luta? É preciso mudar o regime, enquanto tiver este regime, esta democracia, (...) democracia sem liberdade? Democracia com salário de miséria e de fome? Democracia com o filho do operário sem direito de estudar, sem ter condição de estudar?" Ao fim da entrevista, indagada sobre a atualidade de suas palavras, ela conclui enfática: "Continua do mesmo jeito. Enquanto houver a fome e a miséria atingindo a classe trabalhadora, tem que haver luta dos camponeses, dos operários, das mulheres, dos estudantes e de todos aqueles que são oprimidos e explorados. Não pode parar."


 

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Abertas as inscrições para Simpósios Temáticos e Mini Cursos

Clique aqui:     FICHA PROPOSTA
Observação : A ficha proposta não é habilitada para edição, portanto copiem e colem o formulário em outra página do word e enviem como anexo. 

RESUMO (veja abaixo normas da formatação):

Regras para o envio de propostas:
1.     Poderão encaminhar propostas de Simpósios Temáticos e Minicursos, alunos da graduação em História e outros cursos ou da pós graduação ou mesmo que já tenha concluído e seja profissional na de educação. As propostas, tanto de Simpósios Temáticos como de Minicursos, deverão ser feitas por meio de formulário que esta aqui disponível  a partir de 18 de junho de 2011 até 19 de agosto de 2011 e devem ser enviados para o e-mail iiepbeh@hotmail.com.
Os resultados das proposições aprovadas sairão dia 22 de agosto de 2011, no mesmo dia serão abertas as inscrições para submissão de resumos na modalidade de comunicação oral assim como terão início as inscrições para participação em mini-curso. O  prazo final para envio de resumos é 16 de setembro. As cartas de aceite serão enviadas até 20 de setembro e a data limite para envio de trabalho é 01 de outubro
2.     Coordenadores de simpósio e apresentadores de minicurso não pagam inscrição, contudo, se quiserem também submeter trabalho para publicação, a inscrição precisa ser paga.
3.     Cada pessoa pode propor UM simpósio e um mini-curso, sendo o limite de TRÊS proponentes por simpósio e também para mini- curso.
4.     As propostas devem ser alinhadas com o tema do evento, sendo desconsideradas as que não obedecerem a essa regra.
5.     Os resumos das propostas para SIMPÓSIO, que deverão constar no formulário, obedecerão à seguinte formatação: Texto justificado; Fonte: times new roman; Tamanho da fonte 12; Espaçamento: 1,5; Dimensão: até 3.000 caracteres, incluindo espaços. Cada simpósio terá no máximo 15 trabalhos aceitos e no mínimo 5, tendo menos que esse número de inscritos, o simpósio será vinculado a outro que não tenha completado seu limite e com tema afim.
6.     Os resumos para propostas de mini-curso que deverão constar no formulário obedecerão à seguinte formatação: Texto justificado; Fonte: times new roman; Tamanho da fonte 12; Espaçamento: 1,5; Dimensão: até 3.000 caracteres, incluindo espaços. Deve ser seguido de cronograma de execução, material necessário para ambos os dias. Cada mini-curso terá no máximo 30 participantes e no mínimo 10, tendo menos inscritos que esse número, o mini-curso será cancelado.


quinta-feira, 16 de junho de 2011

A CULPA É DO BIRÔ ,Júnior Flor


A CULPA É DO BIRÔ
"As paredes da cidade, os livros, os espetáculos e os eventos educam - no entanto, agora eles parecem, principalmente , deseducar os habitantes. Comparem as lições dadas aos cidadãos de Atenas (mulheres e escravos incluídos) durante a representação das tragédias gregas com o tipo de conhecimento que hoje é consumido pelo espectador(...)"(Castoriadis)

      A idéia da culpa é algo presente no ser humano desde os primórdios da humanidade. Alguém sempre tem de ser culpado por algo. Onde existe a idéia da culpa, existe seu contrário, o inocente. E assim a humanidade vem vivendo sua curta vida. Uns culpando os outros, necessariamente, inocentando os demais.
      Podemos entender culpa enquanto ação negligente, ou mesmo como uma falta voluntária, se concordarmos com o Dicionário Aurélio. O inocente vem a ser aquele que não causou dano, portanto, isento de culpa.
      Bem, não estamos aqui para discutir culpados ou inocentes. Então qual o motivo destas rápidas palavras? A resposta vem a ser outra pergunta: Qual o motivo delas estarem presentes sempre quando se fala em Educação? Em Aprendizagem? Em defasagem na Aprendizagem? Quem é o culpado? O aluno? O Professor? A teoria pedagógica? O livro didático? O atual tecido social?
      As perguntas são infinitas, como infinitas são as respostas para as perguntas postas.
      Como certa vez afirmou o historiador Eric Hobsbawm: “É mais fácil formular perguntas que respostas...” , e que verdade esta, se é que existe uma verdade. Não é este o momento ainda para discussão sobre tal palavra denominada de verdade. Para não irmos discutir a idéia de verdade.
      Estamos no período de retorno às aulas. No Brasil inteiro alunos alegres, outros tristes. Pais alegres por seus filhos irem aprender, outros por eles não estarem em casa naquele turno. Professores participando de semanas pedagógicas em escolas no Brasil inteiro. Alguns leram algo nas férias, outros, nenhuma página. Alguns reclamam dos baixos salários, outros por ter chegado a hora de rever aquele aluno. Lembra? Aquele do ano passado. Uns poucos sorriem de contentamento pela volta a seu habitat: a sala de aula.
      Mas, voltemos ao aparecimento da idéia da culpa, e do culpado, na educação. Não me perguntem, pois não tenho a resposta, do exato momento em que esta idéia apareceu no terreno educacional. Acho necessário refletir sobre a Educação, e não em parte dela. Qualquer reflexão sobre parte do processo educacional será um atentado a Educação. Educação é um todo, não uma parte.
      Pedimos ajuda, novamente, a Eric Hobsbawm quando relatando as lições dadas a ele por um professor relata: “As pessoas em função das quais você está lá (disse meu próprio professor), não são estudantes brilhantes como você. São estudantes comuns com opiniões maçantes, que obtém graus medíocres na faixa inferior das notas baixas, e cujas respostas nos exames são quase iguais. Os que obtêm as melhoras notas cuidarão de si mesmos, ainda que seja para eles que você gostará de lecionar. Os outros são os únicos que precisam de você.” Ou seja, tens coragem de ir para a sala de aula? Ainda queres?
      Estaríamos a culpar, então, o professor. Não, seria apenas um alerta de como direcionar o olhar. Para onde o olhar do Professor deve ser direcionado? Para aqueles que, geralmente, o professor não quer olhar. Os alunos de pior rendimento. Não somente o professor, a sociedade como um todo. Os chamados “problemas”. Bem, acontecendo isto, o problema reside no professor.
      Afinal, estamos a educar, não para rotular.
      Mas, diante de tantas transformações no tecido social, isto que chamamos de sociedade, onde o alunado tem acesso mais rápido às informações que o professor. Existe uma maior liberdade dentro do lar e tantas outras situações novas para a sala de aula que o professor, neste parágrafo, foi transformado em vítima. Seriam o aluno e sua família os culpados? Mas, culpados de ???!!!
      Acontece que com os péssimos resultados no processo educacional como um todo é natural a busca de quem errou, no caso, do culpado. Na berlinda ficam sempre: professor, aluno e família. Mas, não esqueçamos a Escola. A Escola parece ter parado no tempo e espaço tantas são as transformações que a sociedade atravessa. Não podemos ter um aluno que tem acesso a tudo, de repente ter tudo dele retirado. Parece que o meio termo não apareceu para esta situação.
      O meio termo tem nome: limite.
      Pior, não podemos ter um professor refém de quem está livre, o aluno, e ele somente a ensinar. Chegamos, então, em um rótulo antigo que o professor faz de conta de passar alguma coisa chamada conteúdo, e aluno de apreender. Seriam os dois culpados? Ou ambos inocentes? Se ambos são inocentes a Escola é a culpada.
      Considerando ser a Escola algo físico terminamos por desaguar nas teorias pedagógicas de década tal a ser vivenciada em nossa época. Ou seja, fora de contexto. Mas, será que uma literatura é superada pelo aparecimento de outra? Não. Temos de entender a necessidade de compreensão de o texto passado nos ajudar para a leitura dos novos textos.
      E, ainda, ao lermos um texto sobre educação, ou qualquer assunto, entender a época de sua produção. A época que o autor viveu, conviveu e escreveu.
      Estamos caminhando para inocentar a todos?
      Vejamos.
      Inocentados estão professor, aluno, escola, teorias pedagógicas, .....
      A família? Será a família a megera desta história de falhas na Educação?
      Não.
       A família não pode ser culpada de algo que, em muitos casos, ela desconhece: o processo ensino-aprendizagem. Isto é fato. Alguém poderá afirmar, e tem todo o direito, de que a família de hoje não educa como a de antigamente. E estará correto na afirmação. Mais correto ainda estará se perceber que em cada época a família assume papéis diferenciados. Não precisamos sair a passear pelas décadas de 40, 50, 60, 70, 80.
      A cada década um tipo de família.
      Uma sociedade, um filho diferente em um tecido social mutante.
      Da mesma forma que a educação é transformadora, a sociedade é mutante. Os valores não são os mesmos. Necessário se faz esta percepção. Ou seja, é imperioso ver que o aluno de hoje não pode ser ensinado como o de ontem. Cabe a Escola, ao Professor, à Família, as teorias pedagógicas utilizadas hoje de que o aluno não é mais o de ontem.
      Chegamos a outro ponto: todos são culpados e inocentes ao mesmo tempo?
      Talvez seja este o ponto aonde chegamos com nossa Educação.  Some a isto a ausência de investimentos por parte do Estado na educação e a situação é mais delicada.
      Finalmente, quem é o culpado? Quem é inocente?
      Ah!
      Na educação não existe o Mordomo, nosso eterno culpado.
      O culpado é o Birô.
      Isto mesmo, caro leitor, o Birô é o grande culpado.
      Que papel ele exerce na sala de aula hoje? Nenhum.
      Aquela massa amorfa parada entre o professor e o aluno no meio da sala de aula a atrapalhar o processo ensino-aprendizagem. Criando uma distância, ainda maior, entre o professor e o aluno. O aluno passa a temer o birô e o material posto sobre ele, e o professor não sabe como sair para chegar ao seu fiel leitor: o aluno.
      A Escola, os professores, os alunos, famílias, teorias pedagógicas deveriam iniciar, urgentemente, uma campanha junto ao MEC pelo fim dos birôs na Sala de Aula.
      Lembre-se, caro leitor, entre os filósofos gregos e seus discípulos não havia birôs a separá-los.
      Vamos todos, unidos pela educação, como em uma Cruzada, afastar os nefastos birôs de todas as salas de aula do Brasil. Seremos o primeiro em gramática, matemática e ciências em todos os exames.
      Afinal, nos erros cometidos na educação brasileira não existem culpados. Apenas o Birô.
      Afaste-se o Birô.